28 de jan de 2011

Mestre Canjiquinha


Washington Bruno da Silva - Mestre Canjiquinha, nasceu a 25 de setembro de 1925, em Salvador. Discípulo do Mestre Raimundo Aberre, natural de Santo Amaro da Purificação, Canjiquinha foi um dos capoeiras que mais visibilidade deu a sua arte, viajando por todo o Brasil em exibições e também atuando em muitos filmes.
A partir dos anos 60, quando a capoeira se tornou mais conhecida e divulgada no Brasil, a figura do Mestre Canjiquinha ganhou maior relevo. Sua academia tornou-se uma das principais agências de formação de novos capoeiristas como Paulo dos Anjos, Geni, Lua – que se tornaram mestres de outros e contribuídores para a expansão da capoeira em outros paises. São os responsáveis pela continuidade da herança de Canjiquinha. A este Mestre a capoeira deve uma serie de invenções sendo as mais conhecidas aquelas que ele introduziu nos toques e jogos : Muzenza, Samango, Samba de Angola e também das "Festas de Arromba", que ficaram famosas no largo da Bahia, onde vários capoeiristas se reuniam e jogavam Capoeira em troca de dinheiro ou bebida.
Canjiquinha era um capoeira jovem e ágil, fazendo com que se destaque entre os seus companheiros, porém o seu maior destaque era no canto e no toque. Cantava como bem poucos e com um repertório vastíssimo, inclusive com uma grande facilidade de improvisar e de todos era quem mais tinha contribuído para a adaptação de outros cânticos do folclore, à capoeira”


Washington Bruno da Silva, Filho de lavadeira foi sapateiro, entregador de marmita, mecanógrafo, goleiro do Ypiranga Esporte Clube, além de cantor de bolero.
Seu início na capoeira se deu em 1935.
O apelido Canjiquinha foi colocado por um amigo, Dalton Barros, devido ao samba-batuque de Roberto Martins, Canjiquinha Quente, o qual gostava de cantar.
Desde cedo Washington mostrou ter dom para a música. Cantava e improvisava como poucos e era também exímio tocador de berimbau e assim foi o que mais contribuiu para adaptação de cânticos da capoeira. Segundo seus amigos e discípulos, Canjiquinha era uma pessoa muito alegre, grande conhecedor do folclore brasileiro, chegando a contribuir para a divulgação da nossa cultura através de filmes, documentários e shows.
Atuou no cinema, como capoeirista, nos longas metragens: Os Bandeirantes, Barravento com direção de Glauber Rocha - Premiado no Festival de Karlovy Vary - Tchecoslováquia), O Pagador de Promessas (direção de Anselmo Duarte - Palma de Ouro em Cannes), Senhor dos Navegantes (direção de Aloísio de Carvalho), Samba e inúmeros curta metragens.

Sobre seu mestre Aberrê, dizia que não o colocou logo na roda. Primeiro o deixava de lado e ficava explicando as coisas, para depois levá-lo para a roda.

Mestre Canjiquinha era um capoeirista que gostava de jogar em vários toques: São Bento Grande de Angola, São Bento de Angola, Cavalaria, Samango, Jogo de Dentro, entre outros. Em sua opinião, o capoeirista tinha que saber jogar o que o berimbau estava tocando. "Se você sabe dançar tango, quando toca um bolero você tem que ficar sentado", afirmava o grande mestre.

Canjiquinha trabalhou muito em prol da capoeira, pesquisando, fazendo diversos shows e apresentações, participando de filmes e documentários. No dia 8 de novembro de 1994, devido a um enfarto fulminante, partiu deixando sua marca na história da capoeira.

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